Rede Aleluia e "A Hora do Presidiário" (Como se alguma outra não fosse...)
- Sandra Braik

- 23 de out. de 2010
- 2 min de leitura

Dirigindo pela noite você "zapeia" as estações em busca de boas sonoridades. As 10 melhores pra lá... as tantas ruins pra cá. Quase desanimando e prestes a colocar um CD, escuta a chamada: "A Hoooooooooora do Presidiáriooooooooooooo!". Quem? Como? Pensa. Com medo de que algum assassino maluco possa materializar-se a seu lado, cogita mudar logo de frequência, mas perplexo com o que acabara de ouvir, decide estacionar na rádio. O programa, muito diferente de tudo que já escutou, apresenta a troca de palavras entre presidiários e seus familiares. Como? Pergunta novamente. Através de cartas enviadas à estação, que são lidas ao vivo e comentadas pelo pastor/locutor. No caso em particular, a tia desesperada dizia:
- Ah, meu piqueno! A genti ti ama tantu! Eu, a Vanici, o Creiton e a Pulguenta sentimu tantu sua falta. Todo munu (tudo bem que rádio é mídia de massa, mas "todo mundo"? Essa foi exagero...) tem que sabê que ocê é boa pessoa e que ocê tá aí é inganu. A genti torce prucê saí logo daí e vir abraça o Valtinho e o Wandersu.
Definitivamente se ele está preso é porque não é tão bonzinho assim né, minha senhora. Foram quase 10 minutos de lágrimas e palavras de saudade. Quando o locutor intervinha, surgiam mais e mais frases da ouvinte. Será que o tal malfeitor ficará sabendo dos incentivos de sua tia? O locutor respondeu minha pergunta sem querer:
- Oh, minha filha, não se preocupe! - dizia para a participante. - Suas palavras divinas serão levadas a seu sobrinho através da rádio!
- Aleluia! Respondeu ela.
Os presidiários vivem em um lugar fortificado e guarnecido militarmente. Teoricamente deveriam isolar-se do mundo e cumprir sua pena em amargura. Verdadeiramente têm regalias como rádio, dinheiro, drogas, aparelhos eletrônicos, etc. Muitos humanos direitos não tem nem o que comer... fatidicamente.







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